quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Coração

Eu a ouvia, de longe, em silêncio, quando ela Te dizia: pega meu coração. Ele está meio amassadinho, mas é que eu tentei consertá-lo sozinha, mas não consegui. Pega ele, vai. Não me deixa aqui, sozinha, tentando consertá-lo com minhas mãos incapazes. Com minha habilidade zero. Pega meu coração e desamassa, por favor!

Eu chorei quando ouvi ela Te dizendo: sabe o que é?! É que meu coração foi pisoteado. Ele ficou em pedaços. Doeu tanto. Aí eu o peguei do chão, com dor, com minhas mãos pequenas, e tentei consertar as coisas. Mas eu não dava conta sozinha. Eu sabia que não conseguiria. Mas eu tentei. Então ele ficou assim, amassado, com umas marcas que ainda fazem doer. Doer muito.

Aí sorri quando ouvi: eu tentava tanto consertar as coisas. Eu me esforçava. Tentava ser delicada, refazendo meu coração com cuidado. Mas era tudo em vão. Ele ia ficando feio, sem forma, amassado. Eu não conseguia resultados até que me toquei, então, que existe alguém que pode fazer meu coração ficar inteirinho, bem bonito novamente. Sem marcas, sem amassados, sem remendos. Me toquei que Você é como um oleiro que molda cuidadosamente o vaso até que ele fique no formato perfeito. É tão bonito ver o cuidado que o oleiro tem enquanto faz sua obra. Ele fica em silêncio, ali, sozinho, trabalhando, dando forma a um monte de barro feio e desforme. Enquanto imaginava a cena do oleiro, eu Te via, moldando meu coração. Eu Te via, tratando aquele coraçãozinho todo desforme, com todo cuidado e carinho. Eu via Você em silêncio, trabalhando, dando a forma perfeita. Foi aí que decidi colocar o meu feio coração nas Tuas mãos de oleiro. Nas Tuas mãos perfeitas, que dão a forma perfeita, que não deixa marcas nem amassados. Por isso estou aqui, Te dizendo: pega meu coração, vai. Pega esse montinho de barro mal formado, essa tentativa de reconstrução minha, e faça seu vaso perfeito. Por favor!

Entendi muita coisa, então, quando ouvi ela Te dizendo: mesmo eu já tendo Te entregue meu coração, eu sentia vontade de fazer isso todas as noites. Eu achava que Você não me escutava, que Você tinha saído de perto de mim e não havia pego meu coração. Eu chorava e clamava por uma resposta Tua, queria ouvir Você falando comigo. Até que entendi que Você já pegou meu coração amassado. Você já está trabalhando nele. E assim como o oleiro, Você está trabalhando em silêncio, com cuidado, para não ficar nenhuma marquinha. Você está dando a forma perfeita. Você já está trabalhando. E eu achando que Você nem me ouvia mais, que estava distante, me ignorando. Obrigada por aceitar meu pobre e feio coração em Tuas mãos. Obrigada por cuidar dele com carinho, com esmero. Obrigada por trabalhar nele com o Seu amor. Eu sei que quando recebê-lo de volta eu mal vou reconhecer. Eu sei que vou receber um coração limpo, puro e perfeito. Sem dobrinhas, amassadinhos, rachaduras ou pedaço faltando. Eu sei que vou receber uma obra perfeita, refeita pelas mãos do maior e melhor oleiro. Pelas mãos do mais perfeito artista.

Me fez bem ouvi-la falando com Você. Me fez bem!
Obrigada por estar cuidando do que ela tem de mais preciso:
o coração.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Lembrei, pensei e me arrependi


Hoje lembrei daquela tragédia numa escola do Rio de Janeiro. Desde o dia que aconteceu o fato, fiquei imaginando que o rapaz certamente tinha muita mágoa daquela escola e das pessoas que lá estudavam. Mágoa porque ele deve ter sido zuado, excluído, se sentido inferior. E voltando na mesma escola e matando aqueles jovens, era como se ele estivesse voltando no passado e acabando com os colegas de classe dele, se vingando por todas as brincadeiras que ele foi excluído. Se vingando por todas as risadas e piadas que ele ouviu e se sentiu humilhado, sendo estas piadas relacionadas ou não à ele. Era como se ele estivesse gritasse para todo mundo "olha o que o idiota aqui pode fazer! Vamos, riam da minha cara agora!!!". Óbvio que isso tudo são especulações minhas.

Pensando nisso tudo, me lembrei de um rapper que participou de uma reportagem no Fantástico sobre bullying. O rapper contou como era sozinho na escola e como sentia algo estranho em voltar naquela mesma escola hoje, depois de adulto. Este rapper usou da tristeza e sentimento de inferioridade que ele sentia na escola para o bem. Hoje ele é um artista, superou o passado e utiliza de tudo o que passou para cantar. Talvez esse Wellinhton seja mais um menino como este rapper. Só que ele não conseguiu superar. Não conseguiu converter aquele sentimento todo em coisa boa. Aquilo tudo eclodiu e levou ele à uma atitude extrema.

Quantas vezes em ambiente escolar eu ri e fiz piada de pessoas "sozinhas", consideradas de "poucas palavras", "poucos amigos". Quantas vezes ri com meus amigos das piadas do tipo "gente, tenho medo de fulano... acho que a qualquer momento ele vai tirar uma arma de dentro daquela mochila e vai atirar em todo mundo". Ríamos como se aquilo fosse algo intangível. Coisa só de americanos. Ríamos como se fôssemos as melhores pessoas do mundo por termos amigos e por podermos rir com estes amigos. Eu não sabia da vida daquelas pessoas. Eu não sabia dos problemas dela, dos sentimentos, das tristezas, das ansiedades, das dificuldades... Eu nunca vi um sorriso na face daquelas pessoas.

Quantas vezes não passamos horas discutindo o "jeito estranho" de alguns ao invés de discutirmos "o que podíamos fazer por ele?". Quanto tempo perdemos rindo da possibilidade dele ser um "terrorista"? Quanto tempo perdemos... eu poderia ter usado deste tempo para me aproximar, perguntar se precisa de alguma coisa, se tem algum problema... eu poderia ter usado este tempo para arrumar meios de conseguir a amizade da pessoa, de conseguir entender o comportamento dela... quanto tempo.

Hoje, muitas pessoas que estudaram, trabalharam, conviveram com o Wellington podem estar pensando a mesma coisa "Puxa, e eu ria do jeito dele ser", "eu imaginava que ele era mesmo louco", "eu falava que ele tinha uma arma naquela mochila!!!", "eu poderia ter ajudado ele", e por aí vai...

Às vezes, entramos num lugar e, estando desconfortáveis, achamos que todo mundo está nos olhando. Quando surge uma risada então, já pensamos que estão fazendo piadas da gente. Já se sentiram assim? Lembram o que passa na nossa cabeça nestes momentos? ... Sabe Deus quantas e quantas vezes o Wellington não passou por isso!

Para abreviar tudo o que está rodando na minha cabeça, quero pedir desculpas por rir do comportamento dos "Wellingtons" que conhecemos. Por rir do "jeitinho estranho" e perder tempo imaginando piadinhas idiotas ao invés de imaginar maneiras de ajudar. Peço perdão por ser mesquinha e egoísta. Por às vezes achar que sou melhor que eles porque sou menos tímida, porque tenho amigos e posso rir e brincar com eles. Não quero mais rir. Risos como os que eu soltei um dia podem ser combustível para atitudes como a de Wellington. E aí um monte de vidas inocentes pagam pelo meu egoísmo, pelo meu comportamento mesquinho.

As pessoas de comportamento estranho que conheci não saíram atirando em todo mundo como eu imaginava. Mas sabe Deus quantas vezes essas pessoas não tiveram vontade... Sabe Deus quantas vezes essas pessoas não quiseram tirar a própria vida também... Sabe Deus quantas vezes essas pessoas não pensaram mal de mim porque um dia me viram rindo. E aí se sentiram humilhados.

Perdoem meu egoísmo.
Eu preciso ajudar os "Wellingtons" que passaram, passam e passarão pela minha vida. Alguém pode até pensar que seja tarde demais para começar a pensar/agir assim, mas pra mim, nunca vai ser "tarde demais" para ajudar as pessoas.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Experiência

Se eu tivesse a oportunidade de falar apenas uma coisa, depois da viagem missionária¹ que fiz para a Espanha, eu diria: faça uma você também! Só isso.

Pra mim, todos os cristãos deveriam ter uma experiência missionária assim, na prática. Fazer uma viagem dessas é muito mais que se divertir com um grupo de pessoas, que conhecer lugares novos e diferentes, que se inserir em uma nova cultura, ter contato com pessoas distintas e tirar centenas de fotos legais. Fazer uma viagem missionária é conhecer de perto o trabalho realizado por um missionário de nossa igreja. É ver com os próprios olhos onde está sendo aplicada a sua Oferta Missionária de Fé. É conhecer as dificuldades que uma igreja cristã enfrenta em um país diferente do seu. É participar de um culto com irmãos diferentes, numa língua diferente, mas com o mesmo amor pelo mesmo Deus. É cantar, louvar, adorar e orar ao mesmo Deus, estando numa igreja diferente e a milhares de quilômetros da sua igreja de costume. É ver uma bíblia escrita com uma língua diferente, mas com o mesmo conteúdo, a mesma mensagem de amor de Jesus Cristo.

Fazer uma viagem missionária amplia a visão do cristão. Faz a gente quebrar barreiras, compreender o IDE, valorizar os missionários. Você desenvolve amor pelos missionários e pelos membros daquela igreja. Você começa a ler as cartas enviadas por aquela família missionária com outros olhos, começa a prestar mais atenção nas notícias relacionadas ao país em que estão, entende os trabalhos que foram e os que serão realizados, compreende as dificuldades e celebra junto as vitórias. Você sente, inclusive, a vontade de ficar lá e fazer parte daquela igreja, daquela família.

Antes, eu lia as cartas do Pr. Leno Franco² da mesma forma que lia todas as outras cartas missionárias. Lia e achava legal, orava por eles, mas não pensava muito sobre as dificuldades que eles estavam enfrentando. Era uma realidade muito distante pra mim, não me atingia, não fazia questão de parar e pensar no trabalho deles. Apenas os admirava pelo fato de “serem corajosos” por largarem tudo no Brasil e atenderem o chamado de Deus. Eu lia sobre as filhas deles, mas não as conhecia pessoalmente, então elas eram como crianças comuns, que viviam uma realidade um pouco diferente.

Hoje, depois de cerca de 10 dias acompanhando de perto o trabalho missionário e fazendo parte do projeto na Espanha, eu posso compreender cada linha descrita na carta que eles enviam. Hoje eu sonho junto com aquela igreja e choro junto as dificuldades. Hoje eu entendo quando pedem para orar pelas filhas e pelos membros da igreja. Hoje eu conheço aquelas pessoas pelo nome, conheço de perto aquela realidade.

Cristão cômodo

Somos muito acostumados com nossa igreja, nossa zona de conforto. Chegamos a um ponto que celebramos cerca de 10 batismos por mês e achamos, simplesmente, legal. Às vezes nem ouvimos os testemunhos e batemos palmas mecanicamente após a pessoa passar pelas águas. E quando há muitos batismos em apenas um culto? Alguns começam a reclamar da demora... Puxa! Como isso deve magoar o coração de Deus! Quando presenciamos, com os próprios olhos, a dificuldade em trazer uma única pessoa para Cristo em outra nação, como a Espanha, por exemplo, passamos a valorizar de forma incrível cada pessoa que se batiza. Quando comentamos com espanhóis cristãos que “na nossa igreja no Brasil cerca de 10 pessoas se batizam por mês” e vemos o olhar de espanto deles, entendemos o quão é importante uma única vida. Para eles, um batismo por mês é festa! E nós, cristãos acomodados, precisamos disso, dessa paixão por vidas, dessa festa por cada um que aceita a Jesus.

Depois de viver a dificuldade de evangelização na Espanha, depois de participar de trabalhos evangelísticos nas ruas, de orar por aquela nação, de conhecer as dificuldades de aplicação do evangelho por conta da cultura, de entender as estratégias de evangelismo, de conhecer ministérios diferentes, de oferecer amor à quem eu não conhecia... Deus despertou em meu coração o amor por missões. Não que eu agora queira ser uma missionária também, mas no sentido de amar os nossos missionários, apoiá-los, dar mais Oferta Missionária de Fé, orar por cada um... Hoje eu entendo a necessidade de ir por todo o mundo e pregar o evangelho.

Oração

Vi que na Espanha o vício do cigarro é um desafio. Alguns cristãos, mesmo depois de confessarem publicamente a fé em Jesus há um tempo, continuam fumando. Fumar lá é uma questão cultural. Como nós aqui tomamos tereré, lá eles fumam. E eu creio que esse vício pode ser quebrado pelo poder do Espírito Santo. É um dos motivos de oração que eu trouxe de lá: orar para que Deus liberte os cristãos que ainda têm este vício. Eles também são muito fechados para o evangelho, muitos tratam os cristãos com chacotas e não se interessam por nada que tenha vínculo com igrejas evangélicas. Outros entre tantos motivos de oração!

Outros olhos

A igreja do Pr. Leno é pequena e aconchegante. As pessoas são tão amorosas que chegaram a se tornar uma família para mim. Aprendi grandes lições de vida com cada um que conheci lá! Voltei para o Brasil com outra visão de missões, com mais consciência e mais conhecimento do trabalho missionário. Voltei com muito mais amor pelos missionários e muito mais vontade de conhecer e poder ajudar projetos em cada canto do mundo. Voltei repetindo para mim mesma “que bom seria se todos os cristãos tivessem a oportunidade de ter uma experiência missionária transcultural como essa. A nossa igreja seria bem diferente! Daríamos muito mais valor a cada pequeno detalhe da obra de Deus”.

Quando a gente entende de verdade o que é ser missionário, passamos a olhar a vida e as pessoas com outros olhos.


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¹-Viagem realizada de 16/05/2011 a 02/06/2011 por um grupo de 14 brasileiros, onde fizemos trabalhos evangelísticos nas cidades de Huelva, Sevilla, Lepe. Conhecemos ainda Madri e Paris.
²-Pr. Leno Franco é casado, tem duas filhas e é missionário na Espanha.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Eu-robô

Cara, às vezes eu tenho o maior medo de estar fazendo tudo errado, saca?
Medo de ligar o meu "automático" e ficar te dando uma moralzinha diária só para naum passar em branco. De falar algumas palavrinhas só para te agradar e dizer "estou fazendo a minha parte".
Tenho medo de ficar fazendo isso por muito tempo e nem perceber. Medo de seguir uma regra, um padrão, uma rotina. E tudo isso estar chegando como uma fumaça ao seu nariz, como "um fogo que arde todo o dia" (isaías 65:5b)
Esses dias ouvi uma frase que me deixou bem pensativa. No momento, no eu-robozinho, eu achei o autor da frase um tanto quanto ousado. Mas agora, assim, diante de Você, vejo que não é ousadia. É amor. Amor puro. É puro amor:
“Se eu te adorar por medo do inferno, queima-me no inferno. Se eu te adorar pelo paraíso, exclua-me do paraíso. Mas se eu te adorar pelo que Tu és, não esconda de mim a Tua face”. (Rabia 800 D.C.)
Cara, é isso que eu quero de Você. Quero me chegar a Ti pelo simples fato de que Você me ama muito mais que tudo neste universo. Quero receber a Tua atenção porque Você me ama com um amor único e puro. Porque Você é tudo o que eu tenho e o que eu preciso para sobreviver. É por isso.
Chega de Te procurar só porque tenho medo da vida sem Você. Chega de Te procurar só porque Você me dá isso, isso e aquilo. Chega cara, não quero mais!
Chega de viver como um robô, que faz as coisas todas programadas. Quero ser diferente, fazer diferente. Te surpreender. Me surpreender.
Muda a minha rotina. Me ajuda a me transformar. Eu to sentindo que estou começando a viver uns dias diferentes em minha vida, e não quero começar isso tudo longe de Você. Pelo contrário, quero começar tudo isso com Você.
Aperta o botãozinho de "off" deste robozinho aqui, vai. Como um oleiro faz, transformando um montinho de barro em um lindo vaso, com Suas mãos transforma meu coração robótico em um coração sensível. Transforma meus pensamentos robóticos, minhas atitudes robóticas... Transforma tudo aquilo que Você acha que tem que ser mudado.
Se for para ser um robô programado, que o programador seja Você. Que minhas atitudes sejam segundo a Sua vontade.
Que acordar, trabalhar e dormir não sejam mais coisas da minha rotina, e sim motivos diários de alegrias e agradecimentos. Que cada momento do meu dia não seja mais uma etapa, e sim uma nova bênção pra mim.
Quero Te procurar como uma criança procura o pai. Quero falar com Você como um filho fala com a mãe. Quero Você, cara. Quero Você!
Quando eu penso que sei tudo, é aí que vejo que não sei nada. Quando acho que Te conheço, é aí que vejo que estou me desconhecendo. Chega de se perder. Chega de pensamentos vazios, robóticos.
Eu só quero uma vida com Você de verdade. Eu só quero Te sentir todos os dias. Não me deixa cair na rotina de novo. Não me deixa virar robô novamente. Eu amo Você, cara. Eu amo Você porque Você é a minha vida. Eu não Te procuro por medo do inferno ou por vontade de conhecer o paraíso. Eu Te procuro porque ver a Tua face e estar na Tua presença é o únivo prazer real desta vida. E disso eu tenho certeza!